Paris: a cidade cheia de história, charme e difusão cultural
Paris com mais de 2 mil anos de história, charme, difusão cultural e sempre se atualizando ao ar dos tempos
Paris, mais de 2 mil anos de história, charme, difusão cultural e sempre se atualizando ao ar dos tempos. Confira!
Paris, primeiramente denominada Lutèce, deve seu nome à tribo dos parisii, povo gaulês que habitava a região, às margens do Rio Sena, desde o século 3 a.C. Com a chegada dos romanos, em 52 a.C., esses rebatizaram o assentamento gálico como Lutetia Parisiorum (Lutécia dos Parísios). Somente no século 4 d.C. que foi instaurado como topônimo somente Paris.
Caminhar pela capital francesa sempre é uma grande satisfação. No ensaio do escritor francês Charles Baudelaire (1821- 1867) intitulado O Pintor da Vida Moderna (1863), publicado no jornal Le Figaro, o poeta criou e eternizou a figura do flâneur, o caminhante e observador da então vida moderna parisiense. Tratava-se daquele cidadão que andava sozinho e sem destino certo pela cidade, sendo uma espécie de arquétipo do homem moderno, em um caminhar ocioso e sem preocupação. Mas, mesmo sendo um distraído, também era um observador do que a cidade moderna lhe oferecia. O sucesso foi tão grande que fez surgir o verbo “flanar” em várias línguas, inclusive no português, tendo o sentido de “perambular”. E, diga-se de passagem, é muito agradável perambular por Paris – ou melhor, para ficar mais afrancesado, flanar por Paris.
Cidade que com regularidade se renova, a velha senhora parece nunca embranquecer e sempre se vivifica com uma nova maquiagem para estar atualizada ao ar dos tempos, seja na arquitetura, nas artes, na iluminação, no lifestyle, nos contrastes entre passado/presente/porvir com estratégias impactantes e, também, obviamente, no universo da moda. Não temos como imaginar Paris sem pensar e falar sobre as questões estéticas em geral e, por extensão, a moda. Paris é o epicentro mundial quando se trata do assunto.
Se o Rei Sol, Luís XIV (1638-1715), criou para o seu país todo esse glamour que conhecemos, cabe ao monarca ser celebrado como o “idealizador” dessa França que apreciamos. O vício privado do rei é um benefício público ainda hoje para a França. Definiu valores estéticos para a arquitetura; estilo de móveis e decoração; maneiras de sentar; ideia de turismo já com guias impressos; e, assim, fez da França, especialmente via Versalhes e Paris, uma nação com tamanho e significativo valor a ponto de ser copiada por outras cortes europeias. E na moda também marcou presença. Para se ter uma ideia da postura real querendo impor a moda da França ao território europeu, Luís XIV chegou a humilhar o seu contemporâneo britânico, Charles II (1630-1685) quando certa feita o monarca inglês ousou criar algo diferente para a sua aparência com o intuito de lançar alguma moda via Inglaterra, e o Rei Sol, imediatamente, mandou fazer roupas semelhantes para os seus serviçais e, com isso, impediu que algum outro monarca fundamentasse novas aparências de moda. O legado francês como epicentro mundial da cultura geral vem de longa data mas, especialmente, também foi dinamizado a partir de Luís XIV.
Sendo uma das cidades mais visitadas e aclamadas do planeta, especialmente como sinônimo de sofisticação, Paris precisa atender às atualizações para não perder o seu posto de encantamento, e o faz com propriedade. O charme local é o ponto de partida para novos, sofisticados e luxuosos hotéis; parques e jardins encantadores; a recuperação da Catedral de Notre-Dame de Paris (devido ao incêndio de 15 de abril de 2019), o monumento mais visitado do país anteriormente à combustão; culinária à base de manteiga e ervas (também desenvolvida nos tempos de Luís XIV); a moda, que atualmente se renova com muita rapidez com novos e criativos nomes, é de imensa responsabilidade do país. Segundo antropólogos e estudiosos das artes, os registros pré-históricos de pinturas rupestres mais antigos são em grutas francesas; o fundamento de moda ocorreu na corte de Borgonha (à época uma nação, hoje pertencente ao território francês); o surgimento do conceito de alta-costura, mesmo tendo sido com um inglês (Charles Frederick Worth [1825-1895]), se deu em Paris; a arquitetura contemporânea se impondo; as artes com novíssimos museus (especialmente os de moda) e o tradicional Musée du Louvre; além dos aspectos de novos designers que estão presentes na capital francesa, e todos, sempre renovando, muitas vezes mais do que acompanhando o ar dos tempos, mas definindo um novo ar via Paris.
É muita informação para poucas linhas e, caminhando às considerações finais, vale plagiar, no meu caso, a cantora e dançarina americana radicada em Paris Josephine Baker (1906- 1975) quando cantou: “J’ai deux amours, mon pays et Paris…” (Tenho dois amores, meu país e Paris…). E, para realmente encerrar este breve escrito, cito o escritor francês Jules Renard (1864-1910) quando escreveu para a entrada do hotel Paradis em Paris: “Ajoutez deux lettres à Paris: c’est le paradis” (Acrescente duas letras a Paris: é o paraíso), que coincidentemente em português, para a poética do escritor, também é feita com duas letras apenas. Flanar contemporaneamente por Paris, para conhecer ou rever a cidade, é sempre uma boa opção.