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Isabella Rossellini fala sobre etarismo em entrevista exclusiva

Legado! O etarismo é uma pauta com crescente destaque e importância no universo da beleza. Isabella Rossellini sabe disso e usa sua fama para lutar contra o preconceito que atinge, principalmente, as mulheres quando o assunto é idade.

Isabella Rossellini
Isabella Rossellini

Nascida no estrelato, Isabella Rossellini, filha da atriz Ingrid Bergman e do cineasta Roberto Rossellini, começou a carreira como jornalista para depois ganhar projeção internacional como modelo e atriz. Aos 70 anos, segue como uma grande influenciadora feminina na luta pela equidade de gêneros e contra o etarismo. Quebrando antiquados paradigmas, retomou o posto de embaixadora da Lancôme (sua primeira participação em campanhas da marca aconteceu nos anos 1980) e continua, em sua posição de destaque, celebrando o lado positivo da vida e levantando suas bandeiras. Em entrevista à L’OFFICIEL, ela conta um pouco sobre a sua rotina de bem-estar, beleza e maturidade, seja no trabalho, seja em sua fazenda nos Estados Unidos.

 

L’OFFICIEL Qual é o papel da beleza em sua vida?
ISABELLA ROSSELLINI Quando eu era modelo, trabalhava com maquiadores fantásticos por todo o mundo, então eu aprendi boas dicas aqui e ali. Mas, hoje em dia, eu confesso que não uso muita maquiagem. E quando uso, sigo uma linha bem simples. Eu arrumo a minha sobrancelha, faço um delineado preto nos olhos, passo máscara, batom e só. Um maquiador um dia me disse para enfatizar algo que gosto no rosto. Eu sabia que os meus lábios eram famosos, então o destaque veio do batom vermelho.

L’O Fora do trabalho, quais são os seus produtos de beleza favoritos?
IR Quando estou na fazenda, eu sempre uso o rich cream Lancôme Nutrix, um protetor solar, e perfume. Faço isso mesmo em dias que estou tosquiando ovelhas. Existe algo sobre a perfumaria também que é muito poética. Quando não uso fragrâncias, sinto falta, pois ela se torna algo como uma segunda pele.

L’O Qual é a mensagem mais importante sobre beleza e bem-estar que você gostaria de passar para as novas gerações?
IR A ideia de que nós, mulheres, usamos maquiagem para seduzir os homens. Acho isso muito antiquado. Não é que isso não seja uma das ferramentas que existem, mas não acho que as mulheres usem maquiagem com essa motivação. Usam da mesma forma que homens escolhem um terno bonito, uma jaqueta bem costurada ou uma bela gravata. É uma forma de se apresentar.

L’O Como você cuida da sua saúde mental? Você pratica algum tipo de meditação ou técnica de mindfulness?
IR Existem coisas na vida que não controlamos, mas eu tento ser serena. Tento não brigar nem ficar com raiva ou ressentida. Eu penso que felicidade também é disciplina, então acordo todas as manhãs agradecendo os eventos positivos que tenho em minha vida. Se você realmente se concentrar em pontos maravilhosos, isso ajuda a manter a positividade. Sobre meditação, eu faço, porém sou pouco disciplinada. Pratico mais quando estou trabalhando, pois me ajuda com a concentração.

 

L’O O mundo está passando por um período tumultuado. Sua ideia de felicidade mudou? O que faz você feliz hoje em dia?
IR Sempre achei que eu era muito nômade. Com a Covid, não tinha viagem e eu não me importava com isso. O que é ótimo, pois eu estou com 70 anos e não tenho certeza se quero seguir nômade por toda a minha vida. Sobre o que me faz feliz, sou viciada no Criterion Channel [plataforma virtual de curadoria audiovisual]. Eu já assisti retrospectivas de cada diretor ali. Algumas vezes, acordo e assisto um filme em meu computador. É tão enriquecedor, especialmente se for um belo filme. É como começar o dia com o pé direito.

L’O Sobre gênero, você acha que os debates a respeito de empoderamento feminino estão mudando ao longo do tempo?
IR Eu não sei se estão mudando, mas estão melhorando. Ainda não chegamos lá. Conquistamos uma batalha, então há a próxima.

L’O Em sua opinião, qual é a questão mais importante envolvendo as mulheres hoje em dia?
IR Conciliar trabalho e família. A maioria das mulheres trabalha. Maternidade e paternidade não possuem licença com equidade. Seria útil para a família, portanto, que os homens aprendessem a compartilhar a responsabilidade com os filhos e não tivesse então uma possível discriminação em relação às mulheres. Acho que essa é a próxima batalha.

L’O Você é embaixadora da Lancôme [a parceria começou em 1982]. E foi uma das primeiras a visitar Domaine de la Rose, em 2021, onde há o programa de proteção de biodiversidade da marca. O que ressoou em você quando esteve lá?
IR A origem do perfume é a agricultura. Eu amo que a Lancôme sentiu a necessidade de voltar à origem e criar uma história, um conhecimento, de onde a fragrância realmente vem. Eu visitei o jardim dessa fazenda com 12 hectares. Ali existem íris, espécie usada na perfumaria. Ela demora seis anos para entregar o seu perfume, pois os aromas são achados em sua raiz e esse é o tempo para que ela seja considerada uma planta madura. Isso foi tocante para mim. É algo que dá o verdadeiro senso de quão preciosos são esses perfumes.

L’O Qual foi o seu momento mais inesquecível ou significativo como embaixadora da marca?
IR Acho que o momento mais emocionante foi quando me pediram para voltar. Depois de 22 anos, fui convidada para o 80o aniversário deles, e, claro, fui. No final da festa, enquanto eu saía, Françoise Lehmann, presidente global de Lancôme disse: “Quero falar com você. Eu quero que você volte”. Francamente, eu achei que não tinha entendido. Eu perguntei o motivo. A resposta foi que era importante incluir todas as mulheres. Isso, para mim, foi muito emocionante. Acho que até as mulheres mais jovens olham para a imagem que represento como algo positivo, algo pelo qual ansiar. E me sinto muito sortuda por representar isso.

 
 
 

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