Gabriel Leone em um bate papo exclusivo sobre atuação do cinema à moda
Nome dos mais potentes de sua geração, o ator multifacetado Gabriel Leone imprime atuações impactantes em diferentes frentes.
Com apenas 28 anos, Gabriel Leone já tem uma carreira sólida no teatro, no cinema e na tevê. Já são mais de 15 trabalhos realizados, e seis filmes para estrear, caso do aguardado longa “Eduardo e Mônica”, cujo lançamento está previsto para janeiro de 2022, no qual ele interpreta o famoso personagem que dá título à canção de Renato Russo. Enquanto isso não ocorre, o ator pode ser visto em “Um Lugar ao Sol”, trama do horário nobre da Rede Globo e na reprise de “Verdades Secretas”. Cheio de fôlego, o jovem também marca presença nos streamings, como protagonista da série “Dom”, da Amazon Prime, e em uma breve participação na segunda temporada de “Verdades Secretas”, disponível na Globoplay.
A trajetória de Leone começou no teatro, na Cia. Teatral Notre Dame, onde ele permaneceu por alguns anos, enquanto aproveitava para desenvolver as suas habilidades como músico. Artista completo, ele toca violão e até teve uma banda. Após deixar a Notre Dame, estudou canto e dança, participou de audições e fez musicais, talento que pode ser conferido no filme “Minha Fama de Mau”, em que interpreta o rei Roberto Carlos. E quem diria que, em seu momento pós-teatro, ele encararia o aguardado teste para a televisão? “Depois de bater muitas vezes na trave, tive a primeira oportunidade no seriado ‘Malhação’, é no cinema, no filme ‘Garoto’, de Júlio Bressane”, conta. O galã faz questão de relembrar outras produções que marcaram a sua biografia até aqui, a exemplo de “Velho Chico”, novela dirigida por Luiz Fernando Carvalho, e o espetáculo “Natasha Pierre e o Grande Cometa de 1812”, sob a batuta de Zé Henrique de Paula. “Não posso deixar de citar a honra que foi apresentar o documentário do Canal Brasil, ‘Milton e o Clube da Esquina’, concretizando o sonho de conhecer e de entrevistar os meus ídolos da MPB. De quebra, cantei com o Bituca [apelido do Milton Nascimento].”
Atualmente, Leone está gravando a segunda temporada de “Dom”, seriado de língua não inglesa mais visto da Amazon. Parte das filmagens ocorreu no Uruguai, devido aos protocolos preventivos contra a covid-19, e agora prosseguem por alguns estados brasileiros. “Para mim, é uma experiência inédita retornar a um personagem. Mas está sendo incrível continuar narrando essa história, especialmente após a repercussão da temporada anterior. O roteiro pontua assuntos importantes que precisam ser retratados e discutidos”, avisa.
A rotina atribulada não desviou Gabriel dos novos projetos – é ele concentra energia nos ensaios para uma série sobre os 200 anos da independência do Brasil (TV Cultura). “O intuito aqui é trazer um olhar crítico da história que nos foi contada e expor a origem de muitos estruturalismos sociais presentes até hoje. Farei o dom Miguel, conhecido como ‘O Absolutista’, filho de Carlota Joaquina e irmão caçula de dom Pedro I.”
Mesmo com a produtividade a todo vapor, a pandemia fez alguns de seus planos serem adiados. Gabriel reconhece as dificuldades do período e – com ar crítico – destaca o próprio privilégio de poder ficar em casa, em segurança. “Mergulhei com tudo na arte. A arte cura, e isso ficou evidente durante os tempos de incertezas que atravessamos. Mas voltar a trabalhar fez-me um bem enorme. Estou feliz por ver a vida retornando pouco a pouco ao normal.”
Para o ator, além da cura, a arte é sinônimo de resistência. “Temos um governo de ressentidos, que não valoriza a cultura e esforça-se para destruí-la. Entretanto, essa guerra à cultura não é exatamente novidade, e por termos resistido e superado em todas as outras vezes, tenho certeza de que sairemos mais fortes. Como uma flor que teima em nascer no asfalto quente, vamos renascer quantas vezes for preciso.”
Por sinal, o seu posicionamento político é bastante enfático. “Testemunhamos um governo genocida, só não vê quem não quer. A condução do País ao longo da pandemia foi um dos maiores absurdos da história do Brasil – sem falar na realidade cruel da pobreza. Lamentavelmente, em vez de medidas sérias, acompanhamos piadas, negacionismo, ataques constantes à democracia, corrupção e uma lista interminável de despreparo, desumanidade e ignorância.” Apesar da fala dura, Gabriel mantém a visão positiva sobre o futuro: “Acredito que teremos novos ares, pelo menos mais humanos e comprometidos com a vida de seus cidadãos”.
Créditos
Fotografia BRUNA CASTANHEIRA
Assistente de fotogtafia: BIA GARBIERI
Edição de moda ANA PARISI
Produção de moda: DIEGO TÓFOLO E THIAGO TORRES
Assistente de moda: TIAGO GUARNIERI
Beleza HELDER RODRIGUES
Tratamento de imagem: HELENA COLLINY
AGRADECIMENTO ESTÚDIO DAMAS